América Latina vê influência da China mais positiva que a dos EUA pela 1ª vez, diz pesquisa
Xi Jinping e Trump em jantar de gala oferecido pelo republicano na Casa Branca em 24 de setembro de 2026 Evelyn Hockstein/Reuters Pela primeira vez, a América ...
Xi Jinping e Trump em jantar de gala oferecido pelo republicano na Casa Branca em 24 de setembro de 2026 Evelyn Hockstein/Reuters Pela primeira vez, a América Latina considera a influência da China na região mais positiva que a dos Estados Unidos, segundo a pesquisa Latinobarómetro 2026, divulgada nesta sexta-feira (2). A parcela de latino-americanos que avalia positivamente a influência chinesa passou de 48%, em 2020, para 65% neste ano. No mesmo período, a avaliação positiva da influência dos Estados Unidos caiu de 60% para 57%. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Apesar disso, os Estados Unidos continuam com uma imagem geral melhor na região. O país tem 63% de opiniões favoráveis, contra 59% da China. Segundo Marta Lagos, diretora do Latinobarómetro, a mudança está relacionada, em parte, à menor presença dos Estados Unidos na região nas últimas duas décadas. "Enquanto isso, a América Latina aprendeu a enfrentar as ondas do mundo. Aproximou-se de outras potências, da China, da União Europeia, do Japão", disse Lagos à AFP. EUA e Austrália fecham embaixadas e consulados por preocupação com ‘segurança’ A pesquisa aponta que a China ganhou espaço na região ao ampliar o acesso a produtos com preços mais baixos. "O vazio que a China preenche é o dos bolsos, mais do que qualquer outra coisa", afirmou Lagos. A pesquisa também cita o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em 2025, como parte do contexto da mudança na relação dos Estados Unidos com a América Latina. Segundo o relatório, Trump adotou uma política mais intervencionista na região, chamada por ele de "Doutrina Donroe". O nome combina "Donald", primeiro nome do presidente, com "Monroe", sobrenome de James Monroe, presidente dos EUA no século 19. LEIA TAMBÉM O que é Doutrina Monroe, citada pelos EUA ao falar sobre o domínio das Américas EUA suspendem atendimento na embaixada e em consulados do Brasil e alegam 'questão de segurança' Trump diz que está acompanhando 'muito de perto' as eleições do Brasil A referência é à Doutrina Monroe, apresentada em 1823. A política defendia que os países europeus não deveriam intervir nas Américas. O relatório também cita o Escudo das Américas, aliança criada por Trump com cerca de 15 países governados por presidentes de direita para combater o crime organizado. Para Lagos, a América Latina está hoje mais fragmentada e tem sociedades mais escolarizadas e "povos mais rigorosos em seus julgamentos". Segundo ela, a imagem negativa de Trump contribuiu para a piora da avaliação dos Estados Unidos na região. Também aumentou a percepção de que será difícil para Washington voltar a exercer o mesmo papel que teve no passado. Para 55% dos latino-americanos, as "políticas implementadas pelo presidente dos Estados Unidos" terão impacto negativo no mundo. O Latinobarómetro é uma organização sem fins lucrativos sediada no Chile que realiza pesquisas de opinião sobre temas como democracia, economia, segurança e migração. A pesquisa de 2026 ouviu mais de 19 mil pessoas em 17 países entre 7 de maio e 17 de junho. A margem de erro é de 1%.